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Em 29 de outubro de 2024, o governo tailandês emitiu uma resolução do Gabinete para agilizar a regularização da situação legal das pessoas já cadastradas no banco de dados de registro civil do Estado.1 De acordo com essa determinação, os requerentes elegíveis que apresentarem os pedidos e documentos comprovativos exigidos têm direito a que sua situação seja processada em apenas cinco dias.
Com base nessa Resolução, foi elaborado um projeto de pesquisa-ação intitulado “Prevenção de Atrocidades durante uma Crise Migratória: Tailândia”, com o objetivo de abordar questões relacionadas ao registro civil e à situação jurídica de grupos marginalizados. O projeto concentrou-se em três locais de pesquisa, incluindo Ban Viengmok, uma pequena aldeia no distrito de Chiang Khong, em Chiang Rai. Realizado pela Fundação Prorights em cooperação com a Faculdade de Direito da Universidade de Chulalongkorn, as intervenções da equipe de pesquisa já resultaram em várias histórias de sucesso ao longo da fronteira.

O desafio da mobilidade e da segurança
Ban Viengmok é uma aldeia na fronteira norte onde a circulação transfronteiriça e a mobilidade sazonal são parte integrante dos meios de subsistência locais. Embora tenham sido identificados aproximadamente 200 residentes durante o levantamento inicial, muitos já não se encontravam na aldeia quando o trabalho de campo teve início. Alguns haviam se mudado por motivos de trabalho, outros estavam circulando pela fronteira, alguns haviam buscado canais de regularização anteriores e outros haviam falecido. Consequentemente, a elegibilidade passou a depender da presença física durante um curto período do projeto — uma incompatibilidade fundamental para uma comunidade organizada em torno da mobilidade.
Além disso, os registradores locais costumam interpretar a mobilidade sob a ótica da segurança nacional e da prevenção de fraudes. Citando a circulação transfronteiriça e a crescente presença regional de investidores estrangeiros, as autoridades mantêm uma postura de cautela redobrada. Essa abordagem securitizada reformula o objetivo da Resolução: em vez de resolver a exclusão histórica, o foco muitas vezes se desvia para a “proteção” do registro contra reivindicações supostamente inelegíveis.
Barreiras administrativas e o ônus da prova
Para os moradores com quem foi possível entrar em contato durante o projeto, o principal obstáculo muitas vezes não era a elegibilidade em si, mas pequenas discrepâncias nos dados. Inconsistências entre documentos ou bancos de dados — geralmente envolvendo dados básicos como local de nascimento ou data de entrada — eram frequentemente tratadas como “sinais de alerta”. Problemas que provavelmente refletiam erros administrativos anteriores ou registros pontuais eram, ao contrário, interpretados como possíveis fraudes.
Como os bancos de dados governamentais não estão totalmente sincronizados, corrigir essas discrepâncias exige o rastreamento de registros antigos em vários distritos e órgãos. Geralmente relutantes em iniciar esse trabalho exaustivo, as autoridades costumam transferir o ônus da prova para os requerentes, que muitas vezes não dispõem da documentação, do tempo ou do conhecimento jurídico necessários para “corrigir” seus arquivos. Do ponto de vista dos requerentes, a Resolução parece menos um mecanismo de agilização e mais uma exigência de que eles, em primeiro lugar, tornem legíveis os próprios registros do Estado.
Uma história de sucesso em meio a obstáculos sistêmicos
A situação em Chiang Rai ilustra como a mobilidade, a desconfiança institucional e a fragmentação dos dados limitam o alcance da Resolução a um pequeno subconjunto: aqueles que estavam presentes no momento certo e possuíam registros excepcionalmente “limpos”.
No entanto, apesar desses desafios sistêmicos, o projeto alcançou um sucesso transformador. “A Sra. A”, uma graduada universitária de Chiang Rai, passou vários anos tentando obter a nacionalidade tailandesa com base na Seção 7 bis da Lei de Nacionalidade (emendada em 2008), que permite que graduados de bacharelado solicitem a cidadania. Durante anos, as autoridades insistiram erroneamente que ela apresentasse documentação relativa aos seus pais como pré-requisito. A equipe de pesquisa interveio para esclarecer que, com base nos critérios legais, a Sra. A era elegível por mérito próprio, sem necessidade de mais atrasos. Ao comprovar que as provas relativas aos seus pais não eram legalmente exigidas, a equipe quebrou o impasse administrativo. A Sra. A recebeu posteriormente a nacionalidade tailandesa, tornando-se uma das poucas pessoas a obter a cidadania por meio dessas intervenções de pesquisa direcionadas.

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1. Nem todas as pessoas com situação legal pendente registradas no cadastro de residência estão abrangidas por essas medidas urgentes. Conforme observado anteriormente, o Estado tailandês mantém registros contínuos das pessoas com problemas de situação legal, classificando-as em grupos com base no período em que foram cadastradas pela primeira vez. Esta medida específica visa regularizar a situação daqueles registrados como residentes antes do ano 2000 (há aproximadamente 25 anos). Consequentemente, as pessoas registradas como tendo entrado no país após essa data não se enquadram no grupo-alvo desta medida.
Em 29 de outubro de 2024, o governo tailandês emitiu uma Resolução do Gabinete para agilizar a regularização da situação legal das pessoas que já constam no banco de dados do cadastro de famílias do Estado. De acordo com essa determinação, os requerentes elegíveis que apresentarem os pedidos e os documentos comprovativos exigidos têm direito a que seu processo seja analisado em um prazo de apenas cinco dias.
Com base nessa Resolução, foi elaborado um projeto de pesquisa-ação intitulado “Prevenção de Atrocidades durante uma Crise Migratória: Tailândia”, com o objetivo de abordar problemas relacionados ao registro civil e à situação jurídica de grupos marginalizados. O projeto concentrou-se em três locais de pesquisa, entre eles Ban Viengmok, uma pequena aldeia no distrito de Chiang Khong, em Chiang Rai. Realizado pela Fundação Prorights em cooperação com a Faculdade de Direito da Universidade de Chulalongkorn, as intervenções da equipe de pesquisa já resultaram em várias histórias de sucesso ao longo da fronteira.

O Desafio da Mobilidade e da Segurança
Ban Viengmok é uma aldeia na fronteira norte onde o movimento transfronteiriço e a mobilidade sazonal são parte integrante do sustento local. Embora tenham sido identificados aproximadamente 200 residentes durante o levantamento inicial, muitos já não se encontravam na aldeia quando o trabalho de campo teve início. Alguns haviam se mudado por motivos de trabalho, outros circulavam pela fronteira, alguns haviam buscado canais de regularização anteriores e outros haviam falecido. Consequentemente, a elegibilidade ficou condicionada à presença física durante um curto período do projeto, o que representou um desajuste fundamental para uma comunidade organizada em torno da mobilidade.
Além disso, os registradores locais costumam interpretar a mobilidade sob a ótica da segurança nacional e da prevenção de fraudes. Ao mencionar o movimento transfronteiriço e a crescente presença regional de investidores estrangeiros, os funcionários mantêm uma postura de extrema cautela. Essa abordagem securitizada redefine o objetivo da Resolução: em vez de resolver a exclusão histórica, o foco costuma se deslocar para a “proteção” do registro contra supostas reivindicações não elegíveis.
Barreiras administrativas e o ônus da prova
Para os moradores localizados durante o projeto, o principal obstáculo muitas vezes não era a elegibilidade em si, mas pequenas discrepâncias nos dados. As inconsistências entre documentos ou bancos de dados — que geralmente envolvem dados básicos como local de nascimento ou data de admissão — eram frequentemente tratadas como “sinais de alerta”. Os problemas que provavelmente refletiam erros administrativos do passado ou registros ad hoc foram interpretados, ao contrário, como possível fraude.
Como os bancos de dados governamentais não estão totalmente sincronizados, corrigir essas discrepâncias exige a busca de registros antigos em diversos distritos e órgãos. Geralmente relutantes em iniciar esse trabalho intensivo, os funcionários costumam transferir o ônus da prova para os requerentes, que muitas vezes não dispõem da documentação, do tempo ou do conhecimento jurídico necessários para “corrigir” seus processos. Do ponto de vista dos requerentes, a Resolução parece menos um mecanismo de agilização e mais uma exigência de que sejam eles a dar, em primeiro lugar, legibilidade aos próprios registros do Estado.
Uma história de sucesso em meio a obstáculos sistêmicos
A situação em Chiang Rai ilustra como a mobilidade, a desconfiança nas instituições e os dados fragmentados limitam o alcance da Resolução a um pequeno subgrupo: aqueles que estavam presentes no momento certo e cujos registros são excepcionalmente “limpos”.
No entanto, apesar desses desafios sistêmicos, o projeto alcançou um sucesso transformador. A “Sra. A”, graduada universitária em Chiang Rai, passou vários anos buscando a nacionalidade tailandesa com base na Seção 7 bis da Lei de Nacionalidade (emendada em 2008), que permite que graduados com diploma de bacharelado solicitem a cidadania. Durante anos, os funcionários insistiram erroneamente que ela apresentasse documentação sobre seus pais como requisito prévio. A equipe de investigação interveio para esclarecer que, com base nos critérios legais, a Sra. A era elegível por seus próprios méritos, sem mais demora. Ao demonstrar que as provas sobre seus pais não eram legalmente exigidas, a equipe rompeu o impasse administrativo. Posteriormente, a Sra. A recebeu a nacionalidade tailandesa, tornando-se uma das poucas pessoas a garantir a cidadania por meio dessas intervenções de investigação direcionadas.

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1. Nem todas as pessoas com situação jurídica pendente que constam no cadastro de famílias estão abrangidas por essas medidas urgentes. Conforme mencionado anteriormente, o Estado tailandês mantém registros atualizados das pessoas com problemas de status legal, classificando-as em grupos de acordo com o período em que foram recenseadas pela primeira vez. Esta medida específica tem como objetivo regularizar a situação daqueles que foram registrados como residentes antes do ano 2000 (há aproximadamente 25 anos). Consequentemente, as pessoas cuja entrada no país foi documentada após essa data não fazem parte do grupo beneficiário desta medida.